O papel dos benefícios na gestão de pessoas

As relações de trabalho existem desde que houve uma necessidade e alguém disposto a trabalhar para outra pessoa. No início deste tipo de relação, o maior poder estava concentrado nas mãos do empregador e a gestão de pessoas resumia-se a exigir o cumprimento das tarefas e remunerá-las de acordo com seu valor, definido e atribuído pelo empregador.
Com o desenvolvimento econômico vieram a industrialização e o crescimento do número de trabalhadores. Esses, então, começaram a se organizar, primeiro por melhores condições de trabalho e, posteriormente, para defender direitos adquiridos através de legislação. Foi um longo caminho até que as empresas passassem a olhar para sua mão de obra de forma diferente e enxergar a importância da satisfação dos funcionários, e a relacioná-la ao aumento da produtividade da organização.
A política de benefícios como diferencial competitivo
A partir do estabelecimento de novas práticas de mercado e do conjunto de leis trabalhistas, foram definidos direitos do trabalhador e expectativas relacionadas a isso. Pouco a pouco, muitas empresas começaram a oferecer mais do que o mínimo exigido por lei – seguindo diretrizes e modelos internacionais e já testados, ou mesmo introduzindo políticas próprias diferenciadas.
No Brasil, assistência médica e odontológica, transporte e cursos de aprimoramento – benefícios que priorizam o bem-estar físico e financeiro – foram seguidos mais recentemente de horários flexíveis, incentivo a atividades esportivas, espaços de lazer para uso durante o expediente e até a possibilidade de levar animais de estimação para o ambiente de trabalho – benefícios mais ligados ao bem-estar mental e emocional. Obviamente, isso não faz parte da realidade de todas as empresas, mas indica uma enorme evolução na cesta de benefícios.
Os motivos são bastante simples: encantar e seduzir os melhores profissionais, ampliando as razões para que eles se tornem parte da equipe e queiram continuar nela por muito tempo. Outro aspecto importante é fazer a companhia se diferenciar de seus concorrentes e posicionar sua marca em um lugar de destaque no mercado em que atua no que diz respeito a qualidade de vida no trabalho.
É vital ocupar um lugar na mente dos potenciais funcionários como um bom local para se trabalhar, e também usar este diferencial tanto no momento de recrutamento quanto depois de a contratação é efetivada. Além de tornar-se um objetivo profissional a ser perseguido, as empresas devem poder tirar proveito deste diferencial em seu mercado, no que se refere à resultados operacionais. Aspectos importantes relacionados à política de benefícios são por exemplo taxa de rotatividade de pessoal, retenção de talentos, índices de produtividade e até impacto em custos, quando avaliamos aspectos relacionados a custos que podem ser otimizados na adoção de planos de benefícios, como por exemplo um plano eficaz de gestão de saúde alinhado aos processos de assistência médica ou seguro de vida.
Benefícios e gestão de pessoas
A gestão estratégica de pessoas implica analisar as expectativas e necessidades da empresa e de seus colaboradores de forma inteligente e pró-ativa, e o mesmo ocorre com relação à política de benefícios. É preciso que haja máxima sinergia entre os principais agentes envolvidos, e também é preciso otimizar os custos gerados pela operação. O conjunto formado pelo ambiente organizacional e o pacote de benefícios oferecidos deve ser eficiente e conquistar o colaborador, que retribuirá à empresa com sua máxima produtividade e engajamento.
Os custos decorrentes da otimização dos benefícios visando a satisfação dos funcionários devem ser criteriosamente e continuamente analisados. Dentro deste aspecto, a função da gestão da área é atuar como mediadora e garantir que os investimentos em benefícios tornem a rentabilidade do funcionário positiva. Por isso a gestão de pessoas foi elevada a uma categoria absolutamente estratégica. O profissional responsável pela área deve buscar se manter atualizado e estar capacitado a colocar em prática um plano de benefícios que atenda plenamente aos anseios da empresa e de seus colaboradores.
Em última instância, os colaboradores devem ser entendidos como elementos tão importantes para a operação quanto seus clientes, e manter a satisfação interna deve ser uma tarefa tratada com muita atenção. O cuidado aos custos gerados porém é fundamental, já que pode ter um impacto significativo na competitividade da empresa.
