Qual o papel da comunicação na gestão de riscos?

Partindo do princípio de que quando falamos em riscos no ambiente corporativo estamos falando da quantificação e da qualificação das incertezas (perdas e ganhos em relação ao rumo planejado), a comunicação assume um papel muito importante no processo contínuo de análise, avaliação e tratamento dos riscos, se tornando parte fundamental da prática de gestão de riscos.
Neste artigo, quero conversar com você sobre este assunto e também discutir os pontos que considero importantes a serem cobertos pela comunicação nos esforços de que compõem a gestão de riscos. Acompanhe!
Informação e comunicação na gestão inteligente de riscos
Uma boa gestão de riscos visa proteger e criar valor ao negócio, melhorar as decisões e alinhar os contextos internos (como processos, equipe, tecnologia) e externos (como macroeconomia e política). Uma boa comunicação aumenta a transparência e permite otimizar os recursos, além de fortalecer a cultura organizacional.
A comunicação também é fundamental para que todos os envolvidos enfrentem de uma forma mais positiva as mudanças nos processos que visam a melhoria contínua (o abandono de práticas ineficientes, a implementação de novos e melhorados processos, métodos e tecnologias, entre outros aspectos).
Ao inserir a comunicação como parte estratégica da gestão de riscos, criamos maior facilidade para que as informações transitem de forma mais ágil e adequada por entre as várias partes interessadas (colaboradores, acionistas, fornecedores, reguladores, etc.). O objetivo é proporcionar avaliações mais rápidas e assertivas sobre os riscos aos quais a organização está exposta ou pode vir a se deparar.
Agora, um ponto importante: o conteúdo da comunicação reflete sempre a cultura, as políticas e as atitudes desejadas e valorizadas pela alta cúpula da empresa. É preciso que o diálogo constante e as ações de comunicação sejam vistos como parte da estratégia organizacional, pois isso (ou o contrário disso) transparece para todas as demais camadas da organização.
Pontos que devem ser cobertos pela comunicação na gestão de riscos
Uma boa comunicação na gestão de riscos requer delegações claras de responsabilidade e autoridade. A divulgação de processos e procedimentos precisa estar em consonância com as atitudes e sempre reforçar a cultura organizacional. Todo o cuidado possível deve ser tomado para evitar que a comunicação seja reprimida — riscos, violações de códigos de conduta, acidentes e incidentes devem ser reportados, estudados e servir como ‘lições aprendidas’, sem que as pessoas se sintam intimidadas ou envergonhadas.
Acredito que todo o esforço de comunicação da organização ao fazer gestão de riscos deve contemplar os seguintes aspectos:
- Todos devem conhecer a importância e a relevância da gestão de riscos;
- Ao estimular a reflexão em todos os níveis hierárquicos, os envolvidos passam a compreender o porquê das ações que estão sendo tomadas, tanto para diagnosticar quanto para tratar os riscos corporativos. Isso cria um senso de pertencimento, gera engajamento e também diminui as resistências;
- Da mesma forma, deve-se criar formas de comunicação que deixem claras as funções e responsabilidades de todos os envolvidos na estratégia de gestão de riscos;
- A linguagem do assunto ‘riscos’ deve ser de fácil entendimento de todos.
Ao tornar a comunicação parte da estratégia de gestão de riscos, é necessário diminuir ao máximo as dúvidas sobre o assunto. Daí a importância de criar uma linguagem comum nos comunicados, nas apresentações, nos eventos, na intranet… Enfim, em todas as oportunidades de tratamento do assunto e também nos canais de comunicação da empresa. Os objetivos corporativos precisam estar claros para todos.
O que a empresa está buscando com a execução de uma estratégia de gestão de riscos? Esta resposta deve estar na ponta da língua de todos os stakeholders. É aquela velha máxima de que ‘se sabemos para onde estamos indo, saberemos os caminhos possíveis a serem trilhados e chegaremos lá’.
O apetite e a tolerância a riscos da empresa devem estar bem claros. Basicamente, as diversas partes interessadas devem saber responder as seguintes perguntas: até onde os executivos e os colaboradores em geral, podem tomar decisões e ter atitudes arriscadas no negócio? Quais são os limites de tolerância aos riscos?
Em suma, ter um plano de comunicação e executá-lo como parte da estratégia de gestão de riscos só beneficiará os resultados da empresa.
Como a comunicação está sendo contemplada no seu plano integrado de gestão de riscos?
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