Modelos de distribuição: qual o melhor para a sua empresa?

Logística não é uma ciência exata. Podemos concordar que, se fosse, toda a gestão logística das empresas seria mais simples, objetiva e menos suscetível a erros. Mas a realidade é que as operações de transporte mudam de acordo com uma série de fatores: o que está sendo transportado? Onde será transportado? Quais as condições das estradas no local? Quanto custa o frete? Quanto custa o seguro da carga? A quais riscos estamos expostos? Estas são só algumas perguntas que os executivos de logística devem fazer constantemente para operar da forma mais otimizada e segura possível.
No Brasil, especialmente devido à sua extensão territorial e fatores que colocam nossas estradas entre as mais perigosas do mundo, definir qual o modelo de distribuição mais eficiente para a empresa tornou-se prioridade entre os profissionais de logística. Afinal, alcançar o maior número possível de pontos de venda, aumentando a capilaridade do negócio e atendendo o maior mercado possível, é um diferencial para qualquer fabricante. Seja com estrutura própria ou terceira, o grande objetivo é encontrar um modelo que não só considere a relevância e complexidade dos territórios e dos próprios clientes, como também leve em conta a qualidade dos parceiros logísticos.
Este é o tema do nosso artigo de hoje! Continue lendo para conhecer mais sobre os modelos de distribuição e descobrir qual é o mais indicado para o seu negócio.
O que são modelos de distribuição?
Chamamos de modelo de distribuição o método de envio utilizado por uma empresa para levar seus produtos do ponto de origem até o ponto de venda onde será comercializado. De forma geral, cada modelo inclui, pelo menos, três partes diferentes: o fabricante de bens, o distribuidor ou armazém e o ponto de venda final.
Entre as questões que devem ser consideradas ao definir o melhor modelo de distribuição para uma empresa estão a oportunidade para garantir a melhor visibilidade da execução e as implicações de uma eventual internalização dos custos, riscos e investimentos necessários para manter uma infraestrutura própria. Por isso, o modelo ideal depende de uma série de fatores internos e externos, que vão desde as características dos territórios por onde a carga será transportada, tipo de carga, porte e segmento da empresa e até mesmo o grau de diferenciação que ela deseja desenvolver.
Os principais modelos de distribuição
Tradicionalmente, podemos citar 3 modelos de distribuição muito utilizados pelas empresas brasileiras: direto, distribuidores de área e terceirização da logística. No entanto, as mudanças tecnológicas exigiram que esses modelos fossem se adaptando à nova realidade logística do país, surgindo novos modelos de operações que se tornaram extremamente vantajosas para as organizações. Confira abaixo um pouco mais sobre cada um destes modelos de distribuição:
100% direto:
O mais tradicional dos modelos citados acima, a distribuição direta consiste na venda e frota própria da empresa. Amplamente utilizado por grandes organizações com alcance nacional e alta capacidade de investimento, este modelo pode representar altos custos e investimentos, passivos trabalhistas e regulamentações para a empresa. No entanto, ainda é uma ótima opção em casos de distribuição para regiões estratégicas.
O modelo de distribuição 100% direto é indicado em casos onde as distâncias são curtas em relação à origem dos produtos, trajetos com alto tráfego de pessoas e com necessidade de exposição da marca, condições de baixa complexidade de atendimento (fácil acesso, pouco deslocamento e oportunidades de escala, por exemplo) e condições e mercados onde há alto potencial de crescimento.
Distribuidores de área (DA’s):
Também conhecido como “revenda”, este modelo consiste na terceirização das atividades de venda e entrega dos produtos de um fabricante. Muito utilizado no setor de alimentos e bebidas no Brasil, este modelo exige dos fabricantes a inteligência comercial nos territórios e clientes terceirizados, como uma forma de controlar o trabalho dos distribuidores parceiros. Para isso, são definidas regras, responsabilidades e níveis de serviço (SLA’s) desde o momento da escolha dos parceiros, até o controle de inventários e garantia da visibilidade do sell-out.
Operações logísticas que contam com DA’s aproveitam menores patamares de custos, o que garante a capilaridade na distribuição e, consequentemente, nas vendas. Este modelo de distribuição é o mais indicado em casos em que o mercado apresenta as seguintes características: baixa participação ou potencial do território atendido na geração de receita, distâncias mais longas em relação ao local de origem do produto, custos de servir elevados que possam impactar a rentabilidade da operação local ou alta complexidade de atendimento com grande dispersão de clientes.
Terceirização da logística:
Este modelo de distribuição se consolidou por representar uma redução nos custos logísticos das empresas, uma vez que o investimentos e as despesas relacionadas à frota e manutenção são menores e o foco das atividades dos gestores podem ser voltados ao core-business da empresa.
A terceirização desta área visa manter a inteligência das vendas dentro da empresa, passando a responsabilidade das atividades logísticas para um parceiro terceirizado, no entanto é fundamental que os gestores logísticos estejam atentos a qualquer sinal de precarização dos serviços. Infelizmente, é comum vermos isso no mercado, uma vez que existe uma pressão constante por redução de custos, que podem resultar em perdas financeiras, estoques parados, falta de manutenção na frota, entregas atrasadas, entre outros problemas que prejudicam ambas as partes: a terceirizada e a empresa contratante. Apesar disso, os modelos terceirizados permitem maior flexibilidade para as operações logísticas e disponibilizam outras alavancas de custo para os fabricantes.
Terceirização parcial e seletiva:
Este modelo de distribuição, também conhecido como modelo híbrido, vem ganhando força nos últimos anos, pois permite que a empresa atue com frota própria durante todo o ano, mas complemente sua estrutura em meses com maior demanda. Desta forma, é possível otimizar as operações logísticas sem a necessidade de um aumento da frota própria.
Para operar dentro deste modelo, é necessário um alto controle da operação, pois é preciso equilibrar e gerir dois modelos de distribuição simultaneamente, além de manter um bom relacionamento com os parceiros.
Tendências em modelos de distribuição:
Como dissemos no início deste tópico, mudanças tecnológicas, do mercado e do perfil do consumidor, a maior agilidade de comunicação entre as diversas partes de operações logísticas, entre outros fatores, exigiram que os modelos de distribuição evoluíssem e novas propostas surgissem no mercado. Entre elas, podemos destacar empresas, e até mesmo aplicativos, que oferecem a contratação de uma única entrega, maximizando a viagem do veículo com a realização do retorno com produtos após a entrega. Neste modelo, o serviço é oferecido por um terceiro, da mesma forma como aplicativos de taxi e transporte urbano.
Apesar de ainda novos e de uma certa desconfiança por parte do mercado pelo nível de serviço oferecido, modelos de distribuição como esse são uma forte tendência e podemos esperar seu crescimento para os próximos anos.
Qual o modelo mais indicado para as operações logísticas da sua empresa?
Mas, afinal, qual o modelo mais indicado para a sua empresa? A resposta para isso exigirá uma análise profunda do segmento no qual seu negócio está inserido, seus objetivos, disponibilidade de recursos, características dos territórios, produtos e até mesmo dos clientes, riscos aos quais suas operações logísticas estão expostas, entre diversos outros fatores.
Como vimos ao longo deste artigo, a maneira escolhida por uma empresa para distribuir seus produtos tem impacto direto na entrega ao consumidor final, assim como na margem de lucro da empresa. Portanto, escolher um modelo de distribuição para o seu negócio que se encaixe nos seus objetivos e necessidades deve ser uma prioridade dos profissionais de gestão logística.
Para simplificar essa escolha, tendo em mãos todas as informações necessárias para tomar a melhor decisão, que tal contar com a ajuda de especialistas? Os consultores da IMC Logistics estão prontos para analisar a realidade da sua empresa e oferecer insights valiosos para essa decisão. Entre em contato conosco e saiba mais!
