Gestão Inteligente de Riscos X Gerenciamento de Riscos

É consenso de que o papel de qualquer empresa é ser perene e gerar valor a seus acionistas, clientes e colaboradores. Mas, por mais que haja esforços e foco para se conquistar metas, aumentar faturamento e lucratividade, sempre há a possibilidade de desvios. Incidentes indesejados devem ser evitados ou ter seus reflexos minimizados o máximo possível, algo que pode ser buscado com a adoção de uma gestão inteligente de riscos nas operações da companhia.
O risco pode ser definido como a incerteza quanto à obtenção de um resultado que faria a corporação gerar valor ou mesmo como a possibilidade de perdas serem registradas na operação. Desta forma, dentro de um sistema empresarial cada vez mais complexo, os riscos corporativos são um ponto que deve ser monitorado permanentemente, a fim de que possíveis desvios no rumo que se pretende seguir não comprometam resultados e a sobrevivência de um negócio.
É importante entender que a gestão inteligente de riscos se sobrepõe ao gerenciamento de riscos neste processo para identificação de soluções. Este último relaciona-se às questões tático-gerenciais com ferramentas de controle e ajustes em torno das operações. O gerenciamento de riscos usualmente implementa uma ferramenta utilizada em um dos pontos do processo, monitorando ou controlando um dos aspectos que também faz parte de uma gestão mais ampla, voltada para o aspecto mais abrangente e que cobre todas as frentes, inclusive recursos humanos, de maneira mais pró-ativa e estratégica. Portanto, é preciso ir além do gerenciamento de risco e não pensar somente em aspectos pontuais, como avarias ou roubos de cargas.
É neste sentido que entra uma gestão inteligente de riscos, definida como um processo empregado para assegurar que as decisões da empresa – desde o estratégico até o tático – ocorram de forma estruturada levando em consideração uma política de controle de riscos, a fim de que se otimize a geração de valor e se minimize possíveis desvios de qualidade operacional. Apesar de recente no mercado brasileiro, este enfoque, que busca a maior eficiência operacional possível, vem se tornando essencial para a sobrevivência das empresas. Seu foco vai além de riscos específicos e envolve todo processo da cadeia de valor da companhia, através de um olhar especialista em áreas como supply-chain, gestão de seguros e mesmo recursos humanos.
Esta abordagem deve levar em conta que a cadeia de abastecimento e distribuição de mercadorias é complexa, não só pela quantidade de operações que envolve, mas também pelo número de variáveis fora do controle da empresa, o que eleva significativamente a probabilidade de perdas. Em uma frente como cadeia de suprimentos, por exemplo, o grande desafio é aumentar a previsibilidade do resultado operacional. Isso só é possível quando o gestor pensa além dos riscos óbvios, como acidentes, e considera outros tipos de riscos, como, por exemplo, a falta de caminhões e motoristas, nível de atrasos por rota e perda de janela de entregas.
Além disto, um dos maiores desafios que deve ser contemplado nesta visão é o alinhamento de interesses das diferentes áreas dentro de uma organização, que por muitas vezes se deparam com metas e desafios próprios onde, se tratados de forma isolada, geram um desencontro de esforços que acabam se sobrepondo ao objetivo pretendido pela organização como um todo.
Sem essa visão do todo, a empresa acaba por lançar mão de gastos elevados e muitas vezes desnecessários, comprometendo o retorno de investimentos em projetos e reduzindo sua própria competitividade. Na situação atual, de crise econômica e alta competitividade, em que cada centavo deve ser poupado, é imprescindível pensar estrategicamente através de uma gestão inteligente de riscos e, com seu uso, obter reduções de custos e otimização de níveis de serviços capazes de tornar a empresa mais sólida e competitiva.
